quinta-feira, 27 de novembro de 2008

...Enfim: Agindo!


Quantas vezes nós mesmos pensamos ou ouvimos pessoas expressando sua vontade de ajudar ao próximo? E por quantas vezes, todas essas idéias, e pensamentos ficam por isso mesmo né...

Isso é mais comum do que se imagina! Foi assim um dia com a voluntária do grupo Projeto Vida Nova, de 21 anos, Mariana Jurandir Gasparretti. Hoje ela coordena duas oficinas do projeto e nos deu uma entrevista sobre vários aspectos da ONG.




Como você descobriu a ONG Projeto Vida Nova?


Uma amiga minha que já era voluntária me convidou para conhecer, e gostei tanto do que vi que acabei indo mais vezes, à medida que isso foi acontecendo conheci outros voluntários e a direção do Vida Nova que me propôs ser uma das voluntárias, e eu aceitei.

Quais atividades você exerce?


Então, o projeto se divide em diversas oficinas, cada uma delas recebe o nome de uma cor, e trabalha com crianças de determinada idade. Eu coordeno a oficina azul, com crianças de 8 a 11 anos, trabalhamos com atividades lúdicas e materiais recicláveis. Também contribuo na coordenação da oficina verde que é de música e basicamente trabalha uma orquestra de sucata, com adolescentes, e lá eu fico tocando porque de música não entendo nada (rs...).

Qual o objetivo dessa ONG?


Acredito que é levar um pouco de esperança para uma comunidade muito carente e cheia de problemas como a do Jardim Amália.

Você acha que esse trabalho realmente surte efeitos visíveis dentro das famílias dessas crianças e jovens?

Se não acreditasse com certeza não faria parte disso. No lugar onde a Ong está inserida não há nada que ofereça atividades para aquelas crianças, nada que possa utilizar seus tempos livres em algo produtivo, eu creio que é nessa hora que eles se deparam com a criminalidade.

Fazendo parte e trabalhando nesse projeto,você consegue perceber quais são os principais problemas que essas famílias sofrem?


Existem muitos problemas naquela região, uns que infelizmente nem a Ong conseguiria solucionar como uma infra-estrutura adequada para aquelas famílias há diversos córregos poluídos, falta asfalto, transporte, segurança. Mas acho que o pior problema lá é a falta de perspectiva, não há boas escolas, cursos profissionalizantes, parques e quadras suficientes. Outro dia ouvi de um menino que na comunidade ou você se torna “peão” (trabalhos braçais em geral) ou entra pra criminalidade, e na busca por dinheiro fácil a maioria opta pela segunda opção. A maioria descrê que um dia possa sair dali e morar em lugar melhor. Isso é muito triste.

Na sua opinião, o que o Estado poderia fazer para solucionar esses tipos de problema?


Tudo, o Estado tem muito trabalho por lá. E sei que fazer tudo de uma vez é quase impossível, então se eu pudesse escolher, seria educação, ajudaria a diminuir o número de jovens pais, dando-lhes maior perspectiva de estudos e trabalho. Essa melhora na educação com certeza refletiria na comunidade ao longo dos anos.

Quais são as dificuldades que uma ONG enfrenta para realizar seu trabalho?


A falta de recursos para atender TODAS as crianças da comunidade.

Qual é a sua visão sobre a mobilização solidária das pessoas quando se trata de ajudar em trabalhos voluntários?


Creio que melhorou muito, até porque hoje a sociedade valoriza essas pessoas, mas ainda o número é muito baixo de gente que se dispõe a perder um tempo para ajudar os outros. As pessoas ainda preferem ajudar com doações, o que também é válido.

Quantos voluntários colaboram com essa ONG? Você acha esse número suficiente?

Não sei exatamente o número porque saem e entram voluntários o tempo todo. Mas acho que nunca vai ser suficiente, não recusamos nenhum tipo de ajuda.

Como são feitas as divisões das atividades?


O critério é a idade, cada criança participa de atividades relacionadas à sua faixa etária. Os pequenos, por exemplo, de 2 a 5 anos, trabalham com a imaginação, eles desenham, cantam ouvem histórias. Já os maiores não têm como agradar a todos com os mesmos mecanismos então para cada grupo de idade tentamos manter duas oficinas pelas quais eles podem escolhem qual quer participar.

Mudou alguma coisa no seu modo de pensar sobre alguns assuntos, durante essa experiência?


Mudou totalmente, compreendi, apesar de continuar achando errado, porque há tanta criminalidade em nosso país. Aprendi que há muitos talentos que só estão à espera de uma oportunidade, e pode até parecer clichê, mas dou hoje mais valor a minha família e a todo o investimento que fizeram em mim para que eu tivesse uma vida confortável. Minha vida é perfeita perto da de muita gente do Jd. Amália.


Qual o esquema que a ONG monta para arrecadar fundos de colaboração?


Temos colaboradores fixos, que ajudam com quantias mensais, mas ainda são poucos. E parceria com algumas empresas e supermercados que contribuem para que o projeto continue a funcionar.

Quais os próximos projetos e festas de arrecadação?


Provavelmente só no ano que vem agora!

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